SINDITEST-PR manifesta apoio e solidariedade à professora Megg Rayara e repudia ataques transfóbicos

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O SINDITEST-PR manifesta seu total apoio e solidariedade à professora doutora Megg Rayara Gomes de Oliveira, pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade da Universidade Federal do Paraná, diante dos ataques transfóbicos e discriminatórios dos quais foi alvo nos últimos dias.

Os ataques ocorreram após a aprovação, pelo Conselho Universitário da UFPR, da política de reserva de vagas para pessoas trans e travestis nos processos seletivos da graduação. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o vereador de Curitiba Guilherme Kilter atacou a professora, sua atuação institucional e as políticas de inclusão construídas democraticamente pela Universidade. Não se trata de uma simples divergência sobre uma política universitária. Utilizar um mandato parlamentar para constranger uma mulher travesti, desqualificar sua trajetória e estimular preconceitos contra uma população historicamente perseguida é uma atitude grave, que fortalece a transfobia e coloca vidas em risco.

Megg Rayara é professora, pesquisadora, artista, militante dos movimentos negro e LGBTQIA+ e uma das maiores referências brasileiras na luta por uma educação pública comprometida com a diversidade e a transformação social. Em 2017, tornou-se a primeira travesti negra reconhecida por conquistar o título de doutora no Brasil, ao defender, na UFPR, uma pesquisa sobre as trajetórias e as formas de resistência de professores negros, gays e afeminados no ambiente educacional.

Sua caminhada foi construída enfrentando o racismo, a transfobia e as inúmeras barreiras impostas às pessoas negras e travestis no acesso à educação. Sua presença como professora, pesquisadora e pró-reitora da universidade pública mais antiga do Brasil representa uma conquista coletiva e abre caminhos para milhares de pessoas que ainda têm seus direitos e suas existências negados.

Atacar Megg Rayara é atacar a universidade pública, a autonomia universitária, a produção do conhecimento e o direito das pessoas trans e travestis de ocuparem as salas de aula, os espaços de pesquisa e os cargos de decisão. É também tentar impedir que a Universidade cumpra seu papel de enfrentar desigualdades históricas e garantir condições reais de acesso, permanência e participação.

As cotas para pessoas trans e travestis são uma medida de reparação e inclusão diante de uma realidade marcada pela evasão escolar, pela violência, pela exclusão do mercado de trabalho e pela dificuldade de acesso ao ensino superior. Defender essas políticas é defender que a educação pública seja, de fato, um direito de todas as pessoas.

O SINDITEST-PR reafirma que não tolerará transfobia, racismo, machismo, capacitismo, xenofobia, LGBTfobia ou qualquer outra forma de preconceito, discriminação e violência dentro ou fora das instituições de ensino.

A luta da classe trabalhadora não pode ser separada da luta contra as opressões. Não haverá universidade verdadeiramente pública, democrática e socialmente referenciada enquanto parte da população continuar sendo impedida de estudar, trabalhar, produzir conhecimento e viver com dignidade. Seguiremos ao lado de Megg Rayara, das pessoas trans e travestis e de todas aquelas e aqueles que constroem uma universidade mais inclusiva, plural e comprometida com a justiça social.

Toda solidariedade à professora Megg Rayara!

Transfobia não é opinião. É violência!

Por uma universidade pública, democrática, inclusiva e livre de todas as formas de opressão!

SINDITEST-PR

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