Nem 16, nem 20! Nosso lado é o do trabalhador!

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Nem ao lado da direita, nem ao lado do governo!

Declaração da Direção do SINDITEST-PR sobre as manifestações de 16 e 20 de agosto

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Na Assembleia Geral de Greve do SINDITEST-PR realizada na última terça-feira (17), houve um acalorado debate sobre as manifestações convocadas para o dia 16 e para o dia 20 de agosto.

Diversos pontos de vista foram defendidos. Ao final, cerca de 200 pessoas votaram contra a participação do Sinditest na manifestação que ocorrerá amanhã (20), contra apenas 1 voto favorável a essa participação (houve menos de 10 abstenções). Esse resultado mostra que a parcela mais mobilizada e consciente da nossa categoria, as trabalhadoras e trabalhadores em greve, que comparecem às atividades e frequentam as assembleias, estão perfeitamente conscientes das armadilhas preparadas nessas duas manifestações.

Por que não participamos do dia 16?

Porque foram manifestações convocadas e organizadas pela direita (contando, dessa vez, com a participação oficial do PSDB) e pela ultradireita (grupos de inspiração fascista, que pediam intervenção militar).

A principal palavra de ordem do dia 16 era o “Fora Dilma!”, que seria concretizado através de um impeachment.

Somos contra o impeachment. Por quê? Porque o impeachment daria o poder a Michel Temer ou a Eduardo Cunha, ambos do PMDB, partido que é governo, ao lado do PT. Trocaríamos, assim, governo por governo: seis por meia dúzia. Por outro lado, se déssemos a esse Congresso corrupto a prerrogativa de derrubar a presidente (este é o significado do impeachment), ampliaríamos a sanha do PMDB, que, após derrubar Dilma, se voltaria imediatamente contra a classe trabalhadora, agravando os ataques que ora são desferidos contra nós em conjunto com o PT. Em suma, o impeachment não resolveria nada e não traria nada de bom para os trabalhadores e o povo.

O povo elegeu o governo do PT, pela terceira vez consecutiva. Então, o próprio povo deve derrubá-lo, se quiser, com suas próprias mãos, e não através das mãos de um Aécio Neves ou de um Eduardo Cunha.

Participando das mobilizações do dia 16, mesmo que desejássemos apenas protestar contra a corrupção, contra o ajuste fiscal, estaríamos fortalecendo a direita, tanto a direita que está fora do governo, como a direita que está dentro do governo.

Por que não participar das mobilizações do dia 20?

Porque são manifestações convocadas principalmente pelo PT e seus aliados (CUT, UNE, MST), isto é, pelo governo, para que se contraponham aos atos do dia 16.

São manifestações convocadas a partir de uma mentira, uma ideia que serve para blindar o governo Dilma e para que ele apareça como “vítima”: o discurso do “golpe da direita”, da “ameaça golpista”, da “volta da direita”.

Para começar, a direita nunca saiu do governo. O PT governa em acordo com a parcela da elite brasileira representada por Sarney, Renan Calheiros, Collor, Maluf… Além disso, o PT nomeia ministros neoliberais, representantes diretos do capital financeiro e dos latifundiários, como Joaquim Levy e Kátia Abreu. Ou seja, a maior parte da direita, a fração mais poderosa (os bancos, as empreiteiras, as multinacionais e o agronegócio), já está representada no governo, e todos os seus interesses já são atendidos.

É por isso que o jornal “O Globo”, o “Jornal Nacional”, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) entre outros órgãos da burguesia se manifestaram contra o impeachment. Para que tirar um governo que faz tudo pelo capitalista e nada pelo trabalhador? Não faz sentido para eles.

Ou seja, apesar da histeria “antigolpista” do governo, não há nenhuma ameaça concreta, imediata, de “golpe de direita” ou intervenção militar.

As únicas vítimas de “golpes”, na atualidade, somos nós, os trabalhadores, que estamos sendo golpeados pela própria Dilma e seus parceiros de governo, com perda de direitos, inflação, desemprego, privatizações, arrocho salarial, criminalização dos movimentos sociais, etc.

Apesar dos discursos do PSDB e do DEM, os banqueiros estão muito felizes com Dilma, e querem que ela continue ferrando com a vida dos trabalhadores até 2018, quando, então, o PSDB poderia reassumir o comando, por mera questão de “revezamento”, já que a política dos dois partidos é a mesma.

Aderir ao dia 20 ou construir um alternativa independente?

Infelizmente algumas organizações combativas e de esquerda, como o MTST, além de parte do PSOL e da Intersindical, têm outro entendimento sobre essa questão e decidiram manter as manifestações do dia 20, mesmo que tenham sido, como eles mesmos dizem, “sequestradas pelo governo”.

É um erro, em nossa opinião. Quem foi às ruas no dia 16, ajudou a direita e a ultradireita, mesmo sem querer. Do mesmo modo, quem for às ruas no dia 20, com o discurso em defesa da “democracia”, “contra o golpe da direita”, “contra o ajuste fiscal”, vai apenas ajudar o governo Dilma a dar uma demonstração de força, prejudicando assim a classe trabalhadora, que necessita romper com esse governo para poder lutar contra ele.

A CSP-Conlutas, ao contrário, juntamente com diversas outras organizações dos movimentos sindical, estudantil e popular, continuará sua batalha para construir uma alternativa de classe, um terceiro campo, sem a direita e sem as forças governistas, um alternativa dos trabalhadores para a crise que o país atravessa.

Por isso, em conformidade com a orientação da nossa central, e referendando a decisão da Assembleia Geral de Greve, a Direção do Sinditest orienta os trabalhadores de sua base a não comparecer às manifestações de amanhã.

Para combater o ajuste fiscal, a retirada de direitos, o arrocho salarial, é preciso enfrentar o governo, lutar contra ele, com greves e mobilizações independentes, e não marchar ao lado dele nas ruas.

A Diretoria
Gestão Sindicato é pra Lutar!

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