Má gestão da Ebserh ameaça Centro Cirúrgico e UPME no HC

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A falta de materiais e a precarização do trabalho gerada pela má administração da Ebserh estão provocando graves problemas em dois setores do Hospital de Clínicas (HC/UFPR): o Centro Cirúrgico e a Unidade de Processamento de Materiais e Esterilização (UPME).

Equipamentos danificados, máquinas sem manutenção, carência de suprimentos e de recursos humanos na UPME acabam impactando no Centro Cirúrgico, onde caixas de cirurgia – que contêm os equipamentos necessários para a realização do procedimento cirúrgico – estão chegando incompletas ou inadequadas.

“A situação está insustentável”, denunciaram trabalhadores e trabalhadoras do Centro Cirúrgico, que ameaçaram paralisar. Na UPME, falta pessoal e manutenção de equipamentos. Atualmente, há uma autoclave desativada, secadoras e termodesinfectadoras estragadas, aguardando manutenção há meses. “Um dos expurgos, que é uma área onde os materiais são higienizados, está desativado”, relata o coordenador do Sinditest Max Colares, trabalhador da UPME.

A consequência de tudo isso é mais do que grave. Devido à precarização do trabalho, caixas cirúrgicas, montadas na UPME, têm chegado ao Centro Cirúrgico com equipamentos em mau estado – porque não há novos para repor –, com sujidade e no tamanho incorreto (ao invés de uma pinça média, enviam uma grande, que não serve para o procedimento, por exemplo). Quando um material está em falta, trabalhadores da UPME fazem o melhor que podem, colocando outro que seja o mais semelhante possível na caixa de cirurgia.

“Não tem coisas básicas. Falta silicone, não tem como fazer anestesia sem silicone. Às vezes, o paciente está lá aberto e cai algum material no chão, e não tem outro de reserva. Isso cansa, sabe, dá vontade de pegar a malinha e ir embora”, conta uma trabalhadora do Centro Cirúrgico.

O quadro agravado teve início devido à separação da UPME do Centro Cirúrgico, o que ocorreu logo após a empresa Ebserh assumir a gestão do hospital. “Antes, os dois setores ficavam lado a lado, no prédio central. A Ebserh deslocou a UPME para o anexo B, o que provocou todo um caos logístico”, afirma Max. Além da precarização e do grande volume de trabalho, os problemas estruturais presentes em todo o HC foram acentuados devido à terceirização da lavanderia realizada pela empresa Ebserh.

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Problemas administrativos

No entendimento do Sinditest, o grave problema – que coloca a vida de profissionais da saúde e de pacientes em risco – se dá por má administração da Ebserh. Além de faltarem materiais básicos e manutenção de equipamentos, falta pessoal para o transporte e higienização dos itens. Não é de hoje que essas situações ocorrem e provocam estresse e conflitos, afirmam os dirigentes do Sindicato.

Em reunião entre profissionais do Centro Cirúrgico e o diretor de assistência do HC, Adonis Nars, realizada no dia 22/08 com a presença de diretores do Sinditest, Adonis prometeu dar uma posição em três semanas. Na ocasião, foi apresentada uma lista com pelo menos 30 medicamentos e 30 materiais que estão em falta no Centro Cirúrgico.

No dia 19/08, trabalhadores e trabalhadoras desse setor vieram pedir a intercessão do Sinditest para fazer uma paralisação e chamar a imprensa. Diante da possibilidade de judicialização, o Sindicato orientou que fosse feita uma reunião com a direção do HC. As e os profissionais do Centro Cirúrgico já haviam tentado dialogar com a Ebserh diversas vezes, o que sempre foi negado. Só com a pressão do Sinditest a reunião saiu.

Para os trabalhadores e trabalhadoras, “não dá pra continuar desse jeito”. Não ficou descartada a paralisação e o Sindicato está acompanhando a questão. Quando terminar o prazo de três semanas, pedido por Adonis, o Sinditest cobrará uma solução!

O Sindicato se coloca à disposição caso as e os profissionais da UPME também queiram agendar uma reunião.

Luisa Nucada,

Assessoria de Comunicação e Imprensa do Sinditest-PR.

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