Em início de greve, servidores decidem fechar apenas RU Central

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O Restaurante Universitário (RU) Central da UFPR, localizado próximo à reitoria da universidade, será o único fechado de imediato pelos servidores técnico-administrativos, que estão paralisados desde a última sexta-feira, 29 de maio. Os outros dois RUs, localizados nos campi Agrárias e Politécnico, permanecerão abertos, a fim de atender às demandas de alimentação dos estudantes carentes.

A deliberação foi tomada na manhã desta terça-feira, 02 de junho, durante a segunda assembleia de greve dos servidores, no pátio da reitoria da UFPR.

O fechamento dos RUs foi o ponto mais debatido da assembleia. A proposta aprovada foi um meio-termo encontrado pelos grevistas, que têm o RU Central como um espaço tradicional de deliberação, mas ao mesmo tempo não queriam prejudicar os estudantes de menor poder aquisitivo. “Nós temos uma realidade de alunos dessa universidade que dependem única e exclusivamente do RU para fazer uma refeição decente no dia”, defendeu Marja Lawana Braga, administradora da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae).

No pátio da reitoria, a assembleia aconteceu a céu aberto, em alguns momentos sob ameaça de chuva. A Pró-Reitoria de Administração (PRA) negou o pedido do Sinditest para a instalação de uma tenda. A justificativa é que a tenda facilitaria o roubo de bicicletas que são estacionadas ali, por bloquear alguns ângulos das câmeras de segurança.

Com os demais restaurantes abertos, os estudantes que rotineiramente utilizam o RU Central poderão se deslocar aos outros locais utilizando o ônibus intercampi.

O diretor do Sinditest Márcio Palmares também fez uma defesa da proposta que acabou aprovada. “Não é verdade que não existam estudantes carentes que necessitam do RU”, disse. “E nós também queremos esses estudantes do nosso lado. A nossa luta é a luta deles”, complementou.

No entanto, não é possível prever até quando os restaurantes dos campi Agrárias e Politécnico ficarão abertos. A direção do Sinditest acredita que o próprio reitor, Zaki Akel Sobrinho, seja obrigado a fechá-los, por falta de financiamento. “Nós realmente não temos recursos. Todos estão vendo. Não tem carne no cardápio”, endossou Luciane Correia, nutricionista da universidade.

De acordo com estudantes, no almoço de hoje, pelo menos no campus Agrárias, mais uma vez não havia carne.

Além da deliberação sobre os RUs, a assembleia desta terça-feira decidiu pela realização de um ato público na próxima quinta-feira, 11 de junho. Também foi eleita a primeira delegação para o comando nacional de greve, em Brasília. O grupo conta com sete membros: quatro da UFPR, dois da UTFPR e um da Unila.

O Sinditest ainda apresentou aos servidores o saldo do fundo de greve, remanescente do ano passado: R$ 112 mil, que devem ser suficientes para financiar as atividades do primeiro mês de paralisação. Posteriormente, o assunto voltará a ser discutido.

RUs abertos, mas servidores em greve
A direção do Sinditest reforça que, apesar da decisão de manter parte dos restaurantes universitários abertos, os servidores desses RUs estão em greve e não devem comparecer ao trabalho. A responsabilidade de mantê-los funcionando, com os funcionários terceirizados, é da reitoria. “Os servidores dos RUs não podem pisar nos restaurantes. Eles estão em greve. Não têm que ir para lá, têm que vir para a greve”, explicou a diretora Larissa Gysi.

Quadro
Ao todo, já são 56 as universidades federais em que os servidores técnico-administrativos estão parados. Uma das pautas do movimento é a suspensão dos cortes orçamentários que atingem a educação feitos este ano pelo governo Dilma Rousseff. O reitor recém-eleito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher, já declarou em entrevista ao jornal O Dia que “a previsão é que as universidades federais não passem de setembro”. “Na UFRJ, eles estão escancarando a situação. Aqui, não. Aqui eles escondem”, disse Larissa Gysi, em uma crítica à gestão de Zaki Akel.

Na UTI do Hospital de Clínicas (HC) da UFPR, já há denúncias de enfermeiras que sofrem assédio moral da chefia, em uma tentativa de forçá-las a voltar ao trabalho. “Vai ser mais difícil do que foi no ano passado, mas nós temos condições de vencer se nos mantivermos unidos e confiantes na justeza de nossas reivindicações”, prevê Márcio Palmares, do Sinditest.

Sandoval Matheus
Assessoria de Comunicação do Sinditest

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