Técnicos podem voltar ao trabalho na próxima terça, 13

0

Servidoras leem a última versão do acordo de greve. Governo deve assiná-lo hoje.

 

Os servidores técnico-administrativos da UFPR, UTFPR e da Unila, que estão paralisados desde o dia 29 de maio, podem voltar ao trabalho na próxima terça-feira, 13 de outubro. O retorno depende da assinatura por parte do governo federal, na tarde desta terça-feira, 06, do termo de acordo de greve. Caso o governo realmente endosse o documento, uma assembleia na sexta-feira, 09, deve por fim à paralisação e orientar o retorno às atividades.

Há, no entanto, a possibilidade de isso não acontecer. Na avaliação da categoria, o Executivo está adiando a assinatura do acordo para desgastar o movimento frente à opinião pública. “Era para o governo ter assinado esse documento duas semanas atrás”, reclamou José Carlos Assis, dirigente do Sinditest-PR, durante a assembleia da manhã de hoje, na sede social do sindicato.

Outras instituições pelo país podem voltar ao trabalho já no próximo dia 08, quinta-feira. No Paraná, no entanto, acredita-se que reivindicações locais precisam ser debatidas com mais tranquilidade antes da efetiva saída da greve. Na UFPR, a negociação da pauta local está suspensa; na UTFPR, ela nem chegou a acontecer; e na Unila, há o efetivo risco de que os técnicos percam a paridade no Conselho Universitário. “Não é sangria desatada. Se o governo não tem pressa, não somos nós que vamos ter”, considerou Carlos Pegurski, da UTFPR. “Organizar a saída da greve não é só decidir o dia em que vamos voltar. É debater a continuidade da luta. Na UFPR, precisamos discutir um calendário de mobilização pelas 30 horas”, continuou Carla Cobalchini, do Sinditest-PR.

Acordo
O acordo de greve que vai ser posto na mesa na tarde de hoje tem algumas modificações em relação ao documento inicial. Nenhuma, porém, diz respeito ao índice de reajuste, que continua sendo de 10,5% parcelado em dois anos e mais um acréscimo de 0,1% no step a partir de janeiro de 2017.

Uma cláusula importante adicionada fala sobre a reposição do trabalho acumulado no período de greve. Ela diz, explicitamente, que os servidores devem repor o trabalho, e não as horas. “Repor o trabalho, em todo caso, é aquilo que nós fazemos na prática sempre que voltamos de uma greve”, pontuou Larissa Gysi, diretora do Sinditest-PR e também da Fasubra, a federação que organiza os técnicos administrativos de todo o país.

José Carlos Assis chama a atenção ainda para outro pronto, sobre assédio moral. Na cláusula 12, o governo se compromete a até abril do ano que vem organizar um seminário nacional sobre tema. “Isso é muito importante. O assédio moral é hoje uma das principais causas de adoecimento dos trabalhadores.”

Conjuntura
“Hoje, nós vivemos uma crise de bastante monta, de dimensões amplas. Recessão de 2%, com inflação de 10% e um desemprego profundo no setor industrial. A opção do governo é cortar gastos sociais e economizar dinheiro para pagar a dívida pública. Só quem lucra com isso são os patrões, os ricos e poderosos.” A avaliação é de Paulo Barela, da executiva nacional da CSP-Conlutas, a central sindical à qual o Sinditest-PR é filiado. Ele fez uma análise de conjuntura na assembleia da manhã de hoje.

De acordo com as projeções da central, o fim do abono permanência, previsto no último pacote do governo, deve causar a perda imediata, em dois ou três meses, de 40 mil funcionários públicos. “O servidor, se não tem mais o estímulo, vai se aposentar”, constatou. “Combinem isso com a suspensão dos concursos. Em cinco anos, vão ser menos 100 mil servidores”, calculou.

Para Barela, o único meio de barrar o ajuste fiscal nos próximos anos – “quando o quadro vai piorar” – é a construção do chamado “terceiro campo”, independente do governo federal e da oposição de direita, capitaneada no PSDB. Para ele, isso deve se materializar em uma greve geral no país. “Apesar de não sairmos dessa greve com muitas vitórias econômicas, saímos com uma vitória política. Sabemos que é possível lutar. A saída é a unidade da classe trabalhadora”, discursou. “A CSP-Conlutas agora é pequena, mas nós temos vocação para ser grandes, porque estamos com a razão da classe trabalhadora.”

Ele finalizou enviando um recado: “Esse round do enfrentamento está chegando ao fim, mas nós vamos voltar à cena”.

Sandoval Matheus,
Assessoria de Comunicação do Sinditest-PR.

Compartilhar.

Autor

Leave A Reply

X