SINDITEST-PR apresenta contraproposta à UFPR e cobra garantias na compensação da greve

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SINDITEST-PR apresenta contraproposta à UFPR e cobra garantias na compensação da greve

Sindicato defende compensação apenas das atividades efetivamente represadas, sem transformar a greve em dívida de horas, ampliar jornadas ou penalizar os técnico-administrativos

O SINDITEST-PR apresentou à Universidade Federal do Paraná (UFPR) uma contraproposta ao Termo de Acordo que deverá regulamentar a compensação das atividades não realizadas durante a greve nacional dos técnico-administrativos em educação de 2026.

A medida foi tomada após a Administração encaminhar uma minuta ao Sindicato. Embora o texto da UFPR já preveja uma compensação baseada em aspectos qualitativos e nas atividades represadas, o SINDITEST-PR considera necessárias garantias mais objetivas para impedir horas negativas, sobrecarga de trabalho ou outras formas de penalização.

A greve nacional ocorreu entre 3 de março e 15 de julho de 2026. Com o acordo firmado entre FASUBRA Sindical e Ministério da Educação (MEC), o Sindicato passou a cobrar da UFPR uma regulamentação local que respeite as condições negociadas nacionalmente.

Compensação das atividades, não das horas de greve

A minuta da UFPR estabelece que a compensação deve observar, como regra geral, aspectos qualitativos, considerando atividades represadas cuja necessidade e utilidade permaneçam.

A contraproposta do SINDITEST-PR avança nesse ponto e determina que atividade represada não pode ser confundida com dias, horas, turnos ou plantões de greve.

Só poderiam ser incluídas atividades que já faziam parte das atribuições do trabalhador, deixaram de ser executadas diretamente em razão da paralisação e continuam pendentes e necessárias.

Se não houver atividade efetivamente represada, não haverá obrigação material de compensação.

Sindicato rejeita dívida de horas e sobrecarga

A contraproposta proíbe a conversão do período de greve em banco de horas negativo, débito automático ou reposição quantitativa.

Também determina que a compensação aconteça dentro da jornada e do regime ordinário de trabalho, sem ampliação da carga horária.

Para os participantes do Programa de Gestão e Desempenho (PGD), a própria minuta da UFPR prevê que as entregas sejam registradas sem conversão em horas ou acréscimo automático da carga de trabalho.

Plantões no CHC seguem como ponto de atenção

Um dos principais pontos de divergência está no Complexo Hospital de Clínicas da UFPR.

A minuta da Universidade admite adequações temporárias de escala no CHC, inclusive por meio de plantões de recomposição, observados os limites de jornada, descanso e normas de saúde e segurança.

Já a contraproposta do SINDITEST-PR veda a criação de plantões adicionais ou alterações de escala exclusivamente para compensar a greve.

Para o Sindicato, a reposição das atividades represadas não pode resultar em intensificação ou sobrecarga de trabalho.

Plano Individual e prazo de oito meses

A compensação será organizada por meio de um Plano Individual, construído entre servidor e chefia imediata.

O SINDITEST-PR propõe que o plano identifique claramente a atividade represada, sua relação com a greve, o resultado esperado, a forma de comprovação e o prazo para realização.

O Sindicato também busca impedir que déficit de pessoal, férias, licenças, vacâncias, problemas de gestão ou demandas surgidas depois da greve sejam incluídos como obrigação de compensação.

O prazo previsto é de oito meses a partir da assinatura do acordo, com possibilidade de prorrogação em situações justificadas.

A minuta da UFPR, porém, apresenta uma divergência que precisa ser esclarecida: enquanto a Cláusula Sexta estabelece oito meses, o Anexo I registra 30 de novembro de 2026 como prazo final.

Proteção aos trabalhadores

A contraproposta prevê ainda que eventuais divergências sobre as atividades sejam acompanhadas pela PROGEPE e pelo SINDITEST-PR. Enquanto a questão estiver em discussão, o Sindicato defende que não haja descontos, horas negativas, faltas injustificadas ou penalidades.

O texto também reivindica a restituição integral de eventuais valores descontados em razão da greve e estabelece proteção contra retaliações ou prejuízos em progressões, avaliações, férias, licenças, aposentadoria e outros direitos funcionais.

No Ofício no 119/2026, encaminhado ao reitor Marcos Sfair Sunye em 14 de agosto, o SINDITEST-PR reforça que o encerramento da greve não representa o fim das reivindicações da categoria. O acordo local deve respeitar os compromissos assumidos nacionalmente entre FASUBRA e MEC.

Para o coordenador-geral do SINDITEST-PR Ivandenir Pereira, a regulamentação local não pode resultar em retirada das garantias conquistadas durante a mobilização.

“Esperamos semanas por uma resposta da UFPR e recebemos uma minuta que retrocede em pontos já pactuados. A greve terminou, mas a luta e as reivindicações da categoria permanecem. Não vamos aceitar que o acordo local seja utilizado para penalizar quem participou legitimamente da mobilização”, afirma.

O coordenador-geral Antônio Neris destaca que a contraproposta busca garantir segurança aos trabalhadores.

“Não faz sentido encerrar uma greve construída nacionalmente com uma minuta local abaixo do acordo firmado. Nossa contraproposta busca garantir segurança para os TAE, impedir qualquer tipo de penalização e assegurar que a compensação não seja transformada em dívida de horas ou sobrecarga de trabalho”, afirma.

Negociação continua

O SINDITEST-PR seguirá acompanhando as tratativas com a UFPR e orientando os trabalhadores.

Para o Sindicato, o objetivo é garantir um acordo que considere apenas as atividades que realmente ficaram represadas, preserve as condições de trabalho e assegure que nenhum TAE seja penalizado por ter participado legitimamente da greve.

Confira todos os documentos da negociação

Minuta de Termo de Acordo apresentada pela UFPR

Assunto: Encaminhamento de minuta de Termo de Acordo – encerramento da greve nacional dos TAEs.

Proposta da Universidade para regulamentar a compensação das atividades durante a greve. Trata dos critérios de compensação, Plano Individual, acompanhamento, prazos e, no CHC-UFPR, prevê a possibilidade de adequações temporárias de escala e plantões de recomposição.

Ofício nº 119/2026 – SINDITEST-PR

Assunto: Contraproposta do Termo de Acordo de Encerramento da Greve.

Encaminhado ao reitor da UFPR em 14 de agosto de 2026, o documento formaliza a posição do Sindicato, reivindica respeito ao acordo nacional entre FASUBRA e MEC e reforça que nenhum trabalhador deve ser penalizado pela participação na greve.

Contraproposta do SINDITEST-PR ao Termo de Acordo

Termo de Acordo de Compensação das Atividades Efetivamente Represadas em Decorrência da Greve Nacional dos Servidores Técnico-Administrativos em Educação – 2026.

Documento completo com as alterações defendidas pelo Sindicato, incluindo compensação qualitativa, proibição de dívida de horas e plantões adicionais, preservação da jornada e das condições funcionais, Plano Individual pactuado, prazo de oito meses, restituição de descontos, proteção contra retaliações e acompanhamento sindical das divergências.

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