Se reitoria não retroceder, greve pode começar em 1º de março

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Caso a reitoria da UFPR não volte atrás em medidas tomadas nas últimas semanas, como a implantação do ponto eletrônico e o aumento dos RUs para servidores, os técnicos administrativos da UFPR podem entrar novamente em greve a partir de 1º de março.

A decisão foi tomada na manhã desta quarta-feira, 03, durante assembleia da categoria.

Antes disso, porém, deve haver uma rodada de negociação entre a diretoria do Sinditest-PR e a administração da Universidade na próxima sexta-feira, 05. Uma nova assembleia de servidores acontece em 24 de fevereiro. Nessa data, que também será um dia de paralisação em toda a UFPR, a categoria decidirá pela adesão à greve ou não.

Em janeiro, o preço da refeição nos restaurantes universitários mais que triplicou para os servidores, indo de R$ 1,90 para R$ 6. “Eu me recuso a pagar R$ 6 em um bandejão”, resumiu Anderson Spier Gomes, diretor do Sinditest-PR. Pouco depois, a administração anunciou a implantação do ponto eletrônico em toda a universidade para o dia 1º de março.

A decisão descumpre o acordo firmado entre representantes da reitoria e do sindicato na greve do ano passado. À época, a administração se comprometeu a não implantar o ponto eletrônico enquanto os processos solicitando a jornada flexibilizada de 30 horas parados na Secretaria de Órgãos Colegiados (SOC) não fossem enfim analisados. Também ficou acertado que setores que antes não haviam encaminhado os processos teriam tempo para fazê-lo.

Setores como Litoral e de Bibliotecas ainda não têm as 30 horas homologadas. A partir de 1º de março, então, precisariam fazer 40 horas semanais.

“As 30 horas são uma pauta histórica do movimento dos trabalhadores, não apenas nossa. Não estamos inventando a roda. Lá atrás, no século XVIII, XIX, a pauta eram 60 horas, depois 44 horas, até chegar nas 30. Hoje, nós puxamos essa pauta, porque em muitos aspectos a universidade é uma espécie de laboratório da sociedade”, definiu Carlos Pegurski, coordenador-geral do Sinditest-PR.

De acordo com Carlos, as 30 horas “colaboram com um projeto de universidade democrática e popular”. Ele usou como exemplo as bibliotecas do campus da UFPR de Jandaia do Sul, que fecham para o almoço e depois encerram às atividades às 18 horas. Com as 30 horas, dois servidores fariam seis horas diárias, em turnos contínuos, o que possibilitaria que as bibliotecas não fechassem para o almoço e o horário de encerramento fosse estendido. “Isso beneficia a comunidade, não é uma regalia pra gente”, resumiu Carlos.

Em teoria, a UFPR tem as 30 horas regulamentadas desde 2011, com a resolução 56/11, do Conselho Universitário (Coun). “Não começou agora, não é uma luta recente”, lembrou Carla Cobalchini, diretora do Sinditest-PR. “O problema é que no momento da implantação essa resolução ficou muito subordinada às chefias de departamento. A administração não tomou a frente.”

Aumento no RU
De acordo com o diretor do Sinditest-PR Anderson Spier Gomes, a decisão de aumentar o preço da refeição nos RUs, tomada unilateralmente pela Pró-Reitoria de Administração (PRA), por meio de portaria, é ilegal. “Essa decisão deveria ter sido tomada pelo Coplad [Conselho de Planejamento e Administração], que é o órgão responsável pelas taxas cobradas dentro da Universidade, e não por um pró-reitor, com uma canetada”, discursou. “No centro da cidade, nós ainda temos opções. Mas há locais em que não há um restaurante por perto.”

Um Conselho dos Usuários dos Restaurantes Universitários, segundo Anderson, também foi criado em 2002 dentro da UFPR. “Mas só existe no papel, nunca foi executado.”

Por isso, a assessoria do Sinditest-PR já preparada uma ação para questionar o aumento na Justiça.

Para Maurício de Souza, servidor da UFPR Litoral, o aumento dos RUs para servidores é uma tentativa de expulsar os técnicos de alguns espaços da Universidade. “Na prática, é isso”, acredita ele.

A reunião da próxima sexta-feira, 05, foi chamada pela reitoria, com o aumento dos RUs como único ponto de pauta. O Sinditest-PR, no entanto, aproveitará a oportunidade para tentar negociar a entrada em vigência do ponto eletrônico.

Sandoval Matheus,
Assessoria de Comunicação  do Sinditest-PR

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