Proposta do governo foi insuficiente, mas greve obteve ganhos, avaliam servidores da UTFPR Curitiba

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Apesar da proposta de reajuste insuficiente feita pelo governo, a greve de quase 120 dias dos servidores técnico-administrativos das universidades federais obteve ganhos significativos. Avaliação foi feita na manhã desta sexta-feira, 25, por um grupo de servidores da UTFPR Curitiba.

A oferta feita pelo Executivo, e que os técnicos administrativos de todo o país decidiram assinar – ao todo, 43 sindicatos foram favoráveis e 20 contrários –, é um reajuste de 10,5% dividido em dois anos: 5,5% em 2016 e 5% em 2017. A proposta inicial, no entanto, era de 21,7% parcelados em quatro anos. “Se dependesse do governo, ficaríamos quatro anos engessados. Se conseguimos diminuir esse tempo para dois anos, foi pelo esforço de cada um aqui”, pontuou Carlos Pegurski.

Na avaliação dele, a proposta também amortiza as perdas que os técnicos acumulariam até 2017. No caso de um servidor nível D P26, o déficit, que poderia superar os 29%, cai para 12,6%. Já para servidores nível E, em fim de carreira, as perdas girarão em torno de 3,6% com a assinatura do acordo.

Isso acontece por conta do step, a porcentagem que os servidores têm acrescida no salário a cada vez que sobem de nível na carreira. Com o aumento de 0,1% proposto pelo Executivo, em 2017 esse acréscimo será de 3,9% a cada “salto”. Como o step funciona na lógica de juros sobre juros – ou seja, a porcentagem dos níveis mais avançados é calculada em cima do que já foi somado nos níveis anteriores –, os servidores com mais tempo de casa tendem a ter perdas menores.

Carlos Pegurski defendeu a decisão tomada pela base do Sinditest-PR de assinar o acordo. “A proposta é insuficiente? É. Mas, se toda a vez a gente não aceitasse nada menos do que a inflação, desde 2011 não teríamos tido aumento nenhum”, disse.

Outro ganho proporcionado pela mobilização de 2015, segundo ele, foi a unificação das greves do serviço público federal. De acordo com Pegurski, isso deve se repetir em anos posteriores, o que dará mais poder de fogo ao movimento sindical. “A gente só vai conseguir tirar do papel da data-base com essa unidade”, previu.

Sem negociação

A exemplo do que acontece na UFPR, a reitoria da Universidade Tecnológica Federal do Paraná não tem sentado para negociar a pauta local com os servidores. Os técnicos entregaram o documento, com 24 reivindicações, nas mãos do reitor Carlos Cantarelli no dia 24 de julho, mas até agora não houve uma única reunião de negociação.

Por escrito, a reitoria apenas respondeu à pauta de maneira que os técnicos administrativos consideraram insatisfatória. Nada mais, apesar das solicitações da categoria para que as duas partes sentem para negociar. Na terça-feira, 29, se ainda não houver uma posição da parte da administração, os servidores se reunirão para discutir atos que pressionem a administração.

Greve burlada
Em meio à greve, a reitoria da UTFPR burlou a paralisação dos servidores da secretaria da universidade. Responsáveis pela confecção dos crachás funcionais, eles foram substituídos por uma empresa terceirizada. A reclamação foi feita na manhã de hoje pelo servidor Sérgio Caponi. “Eu me senti insultado. Não existe nenhum respeito pelo material humano.”

Sandoval Matheus,
Assessoria de Comunicação do Sinditest-PR.

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