Pró-reitora confirma que atraso no pagamento de bolsas é responsabilidade do Governo Federal

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A pró-reitora de Assuntos Estudantis da UFPR, Rita de Cássia Lopes, confirmou na manhã desta quinta-feira, 11, que o atraso no pagamento das bolsas-permanência aos alunos da universidade é responsabilidade do Governo Federal. Na UFPR, boatos davam conta de que os repasses haviam sido bloqueados pelos servidores técnico-administrativos, que estão em greve desde o dia 29 de maio. “O atraso não se deve à greve dos técnicos, não se deve a nenhuma situação interna da universidade”, garantiu.

A declaração foi feita no pátio da reitoria, para um grupo de estudantes e servidores. Eles participavam de um ato que cobrava um posicionamento da universidade sobre os pagamentos atrasados. Segundo Rita de Cássia, a situação deve ser resolvida entre hoje e amanhã.

Os estudantes aproveitaram a presença da pró-reitora para pedir mais transparência dentro da UFPR. Até a manhã de hoje, eles não tinham certeza dos motivos pelos quais as bolsas-permanências não haviam sido pagas. A falta de informação e a situação de insegurança gerada por ela estariam fazendo com que alunos cogitem abandonar seus cursos. “Não parece que a reitoria está do nosso lado”, resumiu uma estudante.

Para Márcio Palmares, diretor do Sinditest que estava na manifestação, a falta de informação faz parte da estratégia do reitor Zaki Akel Sobrinho para blindar o Governo Federal. “Nós temos um reitor que é omisso, que renunciou à autonomia universitária e está no colo do governo”, discursou.

Ao estudante, as batatas
Mais cedo, uma comitiva de servidores da UFPR entrou na reunião do Conselho Universitário (Coun), para tentar aprovar uma moção de apoio ao movimento grevista. A situação, banal (historicamente, o Conselho aprova por unanimidade esse tipo de solicitação), degenerou para um clima de mal-estar quando o reitor em exercício, Rogério Mulinari, colocou em pauta o fechamento do RU Central pelos grevistas.

Mulinari solicitou “encarecidamente” que o restaurante fosse reaberto. De acordo com ele, os dois RUs que são mantidos em funcionamento, nos campi Agrárias e Politécnico, impossibilitam que alguns alunos façam as refeições e voltem a tempo para atividades curriculares, por serem distantes do centro da cidade.

O comando de greve admitiu repautar o assunto na próxima assembleia, na terça-feira, 16, e deixou claro que quer que os estudantes também participem da discussão. “O que a assembleia decidir, nós vamos acatar”, garantiu José Carlos de Assis, diretor do Sinditest.

O compromisso, no entanto, não fui suficiente para Mulinari, que queria uma decisão mais imediata por parte do comando de greve. “Vejam bem, até terça-feira são cinco dias. É difícil para os estudantes mais fragilizados”, argumentou.

Nesse momento, uma representante dos estudantes no Conselho, Carolina Pacheco, saiu em defesa do movimento grevista. “As últimas três vezes que eu fui ao RU, eu comi feijão, arroz e beterraba. Os estudantes estão sendo afetados com o RU aberto ou não”, disse ela, dirigindo-se diretamente a Mulinari. “Mesmo com o RU aberto, não estava assim tão bom.”

Os restaurantes universitários da UFPR têm enfrentado severas restrições de cardápio. Desde o final de maio, não há carne nas refeições. A reitoria alega problemas de contrato com fornecedores, mas, para o Sinditest, o caso é mais um reflexo dos cortes orçamentários promovidos pelo Governo Dilma Rousseff.

Os representantes discentes Carolina Pacheco e Matheus Vieira saíram em defesa do movimento grevista.

O conselheiro Mário Soares Filho reclamou da posição da aluna Carolina Pacheco, que, de acordo com ele, ao apoiar a greve não estaria “defendendo sua classe”.

O argumento foi rebatido por outro representante discente no Conselho, Matheus Vieira. “Não adianta aqui a gente pautar para o movimento a reabertura do RU para comer lá arroz e batata, como eu comi na semana passada”, lembrou. “O que a nossa classe, os 30 mil estudantes dizem, é: nós queremos atendimento, mas não queremos um atendimento precarizado, de segunda mão”.

Para a diretora do setor de Ciências da Saúde, Claudete Reggiani, as reclamações sobre o RU não levam em conta a evolução do quadro nas últimas décadas. “Quando eu fui estudante, 30 anos atrás, gostaria muito que a universidade tivesse me fornecido arroz e batata”, afirmou.

Visivelmente incomodado com a discussão, Mulinari passou a pressionar o comando de greve para que deixasse a sala. Os grevistas esperavam poder acompanhar a discussão sobre a moção que haviam apresentado, mas o reitor em exercício se recusou a alterar a pauta da reunião e adiantar o debate. O comando acabou aceitando deixar a sala, mas antes fez uma última intervenção: “Nós tínhamos a certeza de que sairíamos daqui com essa moção aprovada. Isso seria relevante para nós, um instrumento para pressionar o governo”, lamentou Márcio Palmares, diretor do Sinditest. “Essa universidade não tem o caráter conservador que aparece em algumas declarações infelizes. Tenho certeza de que um dia vamos recuperar o caráter democrático dessa universidade, que enfrentou o regime militar”, concluiu.

Sandoval Matheus
Assessoria de Comunicação do Sinditest

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