Paraná segue orientação nacional e decide assinar acordo de greve

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A base do Sinditest-PR decidiu na manhã desta terça-feira, 22, seguir a orientação do comando nacional e assinar o acordo de greve ofertado pelo governo, que prevê reajuste de 10,5% parcelado em dois anos: 5,5% em 2016 e outros 5% em 2017.

Leia aqui a íntegra da orientação.

A decisão, no entanto, ainda não encerra a greve. Entre hoje a amanhã ocorrem assembleias em todos os sindicatos que integram a base da Fasubra, a federação que organiza os técnicos administrativos por todo o país. As decisões serão compiladas pelo comando nacional, que então decidirá pelo fim ou não da paralisação.

O principal argumento a favor da saída da greve foi a unidade com as demais categorias do serviço público federal, que estão perdendo força de mobilização. Os trabalhadores da Fundação Oswaldo Cruz, por exemplo, suspenderam a greve no último dia 17. A paralisação no INSS também vem perdendo fôlego, principalmente por conta do corte no cartão-ponto dos servidores, que acontece já há dois meses. “A avaliação do comando nacional é que, se continuarmos com a greve, estaremos isolados, e isolada a Fasubra não tem condições de arrancar uma melhoria nessa proposta”, comunicou Larissa Gysi, que compõe a diretoria do Sinditest-PR e também da federação nacional.

Para Carlos Pegurski, da UTFPR Curitiba, a manutenção da unidade conseguida este ano no Fórum dos Servidores Públicos Federais era também um ponto-chave a ser considerado na decisão. “Politicamente, qual é o melhor momento para se sair da greve?”, perguntou. “Eu acho que é agora, porque saímos unificados com os outros servidores federais, e isso vai impulsionar futuras lutas conjuntas. A unidade é a única forma de mais adiante conseguirmos a data-base.”

No entanto, no interior, a maioria dos campi da UTFPR havia optado por recusar a proposta governamental e seguir paralisado. Dos nove campi computados até a manhã de hoje, Dois Vizinhos fora o único a deliberar pelo fim da greve.

Weslei Trevizan Amâncio, de Londrina, defendeu a continuidade da greve, de acordo com o que foi aprovado na região norte. “Esse acordo é rebaixado e é medíocre. Minha posição é que aceitar isso vai contra tudo o que colocamos para a sociedade nesses mais de 110 dias de greve. A greve não era só por reajuste salarial, era também por melhorias no ensino público superior. Nada disso está contemplado nesse acordo”, criticou.

206Cláudia Nardin, da UTFPR Dois Vizinhos, defendeu a saída da greve.

Para Cláudia Nardin, representante de Dois Vizinhos, “nesse momento, temos que avaliar o tamanho das perdas que a gente quer ter. Acho que queremos ter uma perda um pouco menor”, calculou.

Em média, a atual oferta do Executivo reduz quase pela metade as perdas inflacionárias que os servidores técnico-administrativos precisão repor em 2017: de 31 para 16%.

“Outra questão é a mobilização”, continuou Cláudia. “Se sairmos dessa greve sem nenhum ganho, que força vamos ter para mobilizar a categoria em 2016?”, questionou. E prosseguiu: “Essa foi a greve dos recordes, de tempo [114 dias hoje], de mobilização, de atos, foi uma das greves mais movimentadas que a gente já teve.”

Na UFPR Litoral, os servidores também já haviam optado por encerrar a paralisação. “Vejam bem, não se trata se aceitar o acordo e pronto, mas assinar isso aí de uma vez para que na próxima oportunidade possamos partir de um patamar melhor”, explicou Maurício de Souza, representante do campus.

Greve dos recordes
A paralisação de 2015 já é a maior da história da Fasubra, com 114 dias. A federação existe desde 1978. Servidores de 67 instituições federais de ensino cruzaram os braços. Fora isso, foram quatro caravanas a Brasília, inclusive com o bloqueio do acesso ao Ministério do Planejamento e a ocupação do Ministério da Educação. “A grande vitória da nossa greve foi a mobilização. Vamos sair de cabeça erguida. Fizemos todo o possível, tudo que estava ao nosso alcance”, reconheceu Youssef Ali, da diretoria do Sinditest-PR.

A avaliação foi partilhada por quase todos na assembleia. “A proposta é horrível. Nós hoje somos obrigados a aceitar essa proposta, entendendo que ela é horrível, mas que ao mesmo tempo nós obtivemos uma vitória, só possível na atual conjuntura por conta da força da nossa greve: fizemos o governo recuar da proposta de reajuste parcelado em quatro anos, em vez de dois”, ecoou José Carlos Assis, também da diretoria do Sinditest-PR.

Crise e correlação de forças
A crise econômica pela qual passa o país, o consequente ajuste fiscal promovido pelo Governo Dilma Rousseff (PT), e o cenário incerto dos próximos anos vieram à baila diversas vezes durante o debate. O diretor do Sinditest-PR Márcio Palmares lembrou duas fortes greves que ocorreram no país este ano e que obtiveram resultados ruins ou nulos para as categorias. Os professores do Estado de São Paulo ficaram paralisados por três meses, sem conseguir nenhum reajuste. Já os professores do Paraná, mesmo com uma forte mobilização (a Assembleia Legislativa foi ocupada duas vezes, sem contar o “massacre do Centro Cívico, no dia 29 de abril) e amplo apoio da sociedade, obtiveram apenas a reposição da inflação, parcelada em duas vezes. “Nós vamos ter que fazer outra greve em 2017. Nesse dia, vocês querem entrar em greve, no meio de uma recessão, com 30% de perdas? Pensem em 2017 como vai estar o nosso bolso, a situação das nossas famílias”, finalizou.

Sandoval Matheus,
Assessoria de Comunicação do Sinditest-PR.

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