Neoville: técnicos podem se mudar ainda este ano e sem subsídio para o RU

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Foi em tom irônico que o diretor do campus Curitiba, Cezar Augusto Romano, anunciou durante uma reunião com as quatro categorias que compõem a instituição – Tae’s, docentes e estudantes da graduação e do Ensino Técnico – uma série de mudanças que irão afetar profundamente a vida dos técnicos e técnicas. A começar pela transferência dos funcionários e funcionárias dos setores administrativo para a sede Neoville, que deverá acontecer ainda este ano. Além disso, os(as) profissionais vão perder, em breve, o subsídio para o RU.

O encontro convocado pela gestão tinha por objetivo esclarecer as dúvidas sobre a transferência para a nova sede. As respostas evasivas da direção aumentam o clima de insegurança e evidenciam ainda mais o que já está claro: a direção do Campus não quer dialogar. Essa, inclusive, é a principal queixa da comunidade acadêmica, excluída do processo decisório.

“O campus Curitiba precisa crescer, precisava expandir, portanto a sede Neoville é uma solução. É provável que a obra termine em setembro, em outubro, e aí vai acontecer a mudança em dezembro aproveitando o espaço de menor demanda, menor atividade do campus”.

Romano fez questão de afirmar que negociou a compra do Neoville – cujo custo total foi de R$65 milhões – diretamente com os proprietários do terreno, adquirido sem licitação e sem planejamento prévio, por indicação de um ex-aluno. “Até a semana passada nós não sabíamos quais setores poderão estar na Neoville, quais setores ficarão no centro”.

O diretor justifica de forma simplista a falta de estratégia: “existia uma demanda histórica dessa instituição para crescer e que esse quarteirão já não permitia mais. Surge essa oportunidade a R$ 290 o metro quadrado, foi feita a avaliação por peritos independentes, não imobiliários, de quanto valeria aquela área. Levamos no Ministério, o Ministério pegou o documento, analisou e falou: nós vamos realocar recursos para vocês Quem abriu a negociação em 2014 para eu fazer uma audiência com o Ministro foi o deputado Vanhoni”.

Confira abaixo os pontos mais importantes da reunião:

Falta de diálogo

Representando a categoria dos técnicos, o coordenador geral do Sinditest, Carlos Pegurski, mandou a real: “o que está causando profundo desconforto não é apenas o desconhecimento sobre o histórico do processo, mas, sobretudo, a forma atropelada com que isso esta sendo tratado. A grande polêmica desse momento é a desinformação”.

Romano ignora a situação e articula com os diretores de setor a transferência para a sede Neoville: “existe planejamento, existe uma obra, existe um projeto, existe uma execução da obra e a obra tá pronta. Sem nenhuma pressa! Não existe nenhum atropelamento, não existe a palavra atropelamento. As coisas são feitas na velocidade que é possível fazer. Foi feito desde o ano passado um debate das diretorias para fazer o layout, depois foi para o DEPRO, que fez o projeto, fez o orçamento, tivemos que negociar a questão orçamentaria, vai para licitação, vai para ordem e vamos tocar a obra”.

Enquanto a conversa se restringe ao gabinete, a comunidade mais prejudicada continua sem nenhuma informação, num clima de insegurança e instabilidade.

Transferência dos TAES

O boato estava certo: de acordo com Romano os técnicos serão transferidos para o Neoville ainda este ano, em dezembro. Para os setores acadêmicos o prazo é um pouco maior: provavelmente no final de 2018.

Sem tempo hábil, os trabalhadores e trabalhadoras terão que se organizar às pressas. Casa, creche dos filhos, transporte… tudo isso aflige a categoria, que em assembleia decidiu: não vão aceitar mais precarização, transferência só com estrutura mínima.

Documentação

Técnicos(as), docentes e estudantes exigem uma justificativa oficial para a compra da antiga fábrica da Siemens. O Sinditest reivindica que os documentos se tornem públicos e acessíveis para análise.  “Até agora a gente não tem nenhum documento que oficialize como esse espaço foi adquirido, é um bem público. Não ficamos sabendo se existe um plano diretor, essa obra não foi licitada”.

RU

Preocupante também é a situação dos trabalhadores(as), que ficarão ainda mais precarizados com o fim do subsídio para o RU. A notícia pegou todos e todas de surpresa: “nós fomos informados que os técnicos(as) não terão mais subsídio para almoçar no RU porque segundo a direção nós já recebemos auxílio alimentação”.

Nas palavras do diretor do campus: “a refeição vai ser subsidiada só para estudante, para técnico não vai ter mais, vocês já recebem. Não é questão de debate, é legislação. Infelizmente nós já estávamos contrariando a legislação. O subsídio vai ser para o estudante em vulnerabilidade”.
Recursos

Sem recursos do MEC, a sede Neoville será viabilizado com recursos próprios. “Nós já temos arrecadados, aguardando autorização para utilizar, em torno de R$ 8 milhões de recursos próprios e temos aquela área na saída para Joinville que foi avaliada em R$ 2,6 milhões. Nós temos por baixo no campus Curitiba em torno de R$ 13 milhões para utilizar. A gente continua brigando por outros recursos, emenda parlamentar. Eu prefiro trabalhar com o nosso dinheiro, se vier mais, ótimo”, finalizou Romano.

Silvia Cunha,
Assessoria de Comunicação e Imprensa Sinditest-PR 

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