NEM DIA 13, NEM DIA 15!

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NEM AO LADO DO GOVERNO, NEM AO LADO DA DIREITA!

Os trabalhadores devem organizar suas próprias manifestações!

A Direção do SINDITEST vem a público orientar os trabalhadores de sua base a não comparecer às manifestações convocadas para o dia 13 e para o dia 15.

Desde que a atual gestão assumiu a direção do sindicato, em 2012, sempre estivemos na oposição ao governo federal (PT) e na oposição aos governos de direita (PSDB). Realizamos inúmeras manifestações e greves nos últimos anos, lutando não apenas por salário, carreira, condições de trabalho, mas também defendendo a saúde e a educação públicas, exigindo justiça social. Organizamos manifestações contra a EBSERH; protestos contra as injustiças da Copa; participamos das grandes mobilizações de Junho de 2013; estivemos na luta recente dos servidores públicos do estado do Paraná; participamos das duas ocupações da Assembleia Legislativa, prestamos solidariedade ativa aos grevistas acampados em frente ao Palácio Iguaçu; estivemos no Rio de Janeiro neste dia 6 de março, no ato nacional contra a privatização da saúde e em diversas outras manifestações.

Em todos esses anos procuramos transmitir a mensagem: só a mobilização da classe trabalhadora pode forçar os governantes (sejam do PT ou do PSDB) e os patrões a atender nossas reivindicações.No entanto, não estaremos nos atos convocados para o dia 13 e para o dia 15. A seguir, explicamos o porquê.

PT no poder: 12 anos de traições à classe trabalhadora

Lula chegou à presidência em 2003 com a missão de mudar o país. Oito anos depois, deixou sua sucessora Dilma Rousseff no comando, que prometeu nada menos do que “erradicar a miséria”.

Passados 12 anos, a educação, a saúde e a previdência estão cada vez piores. A desigualdade social, o abismo entre os mais ricos e os mais pobres, aumenta a cada dia. Não houve reforma agrária. Não houve ruptura com a política econômica neoliberal (os juros continuam estratosféricos e a inflação continua devorando os rendimentos do trabalhador). Não houve suspensão do pagamento da criminosa “dívida pública”. Estamos muito longe de receber o salário mínimo previsto na Constituição. Os empregos no Brasil são cada vez mais precários. Perdemos direitos trabalhistas todos os anos. Não há segurança pública. E para completar a obra, o PT traiu seu princípio fundamental: ser um partido de trabalhadores, sem patrões. Para chegar ao poder e se manter nele, o PT se aliou à patronal, representada, primeiro, pela figura do falecido José Alencar (PL/PRB), e, atualmente, na figura de Sarney. Lula e Dilma são, hoje, aliados de Sarney, Collor, Maluf, Renan Calheiros… Tendo aceitado vender-se à patronal para gerir seus negócios, o PT adotou também a moral dos partidos burgueses: virou uma organização corrupta. Recebe dinheiro dos bancos e multinacionais e está afundado até o pescoço na lama da corrupção.

O preço da traição

Essa traição causou uma profunda decepção no povo brasileiro. Três gerações de militantes trabalharam duro para levar um ex-operário, de origem humilde, migrante nordestino, à presidência da república. Milhares de pessoas dedicaram suas vidas à construção desse partido e à construção de um sonho: um partido que governasse para os trabalhadores e acabasse com as mazelas dos séculos de submissão de nosso país ao capital financeiro. Todos esses sonhos e esperanças foram pisoteados pelos líderes do PT.

Nos dois mandatos de Lula, como havia crescimento econômico (que mascara os problemas), a traição do PT deu origem apenas à desilusão, desesperança e desorientação entre a maioria do povo. Agora, porém, com a chegada da recessão, não há mais como esconder a realidade: a vida está cada vez pior para quem trabalha. A decepção começa a se transformar em raiva e indignação. A primeira explosão de revolta ocorreu em Junho de 2013. Estamos prestes a presenciar várias outras.

Por que não devemos participar da mobilização do dia 15?

A reivindicação central do dia 15 de março é o “impeachment” da presidente Dilma. Vale lembrar que o impeachment daria o poder ao vice-presidente (Michel Temer, do PMDB) ou ao presidente da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha, também do PMDB). Ou seja, é trocar seis por meia dúzia. O impeachment é um processo completamente controlado pelo Congresso, onde ele retira a raposa e coloca um lobo para cuidar do galinheiro.

Além disso, na organização dessa manifestação do dia 15 estão segmentos minoritários dos partidos tradicionais da direita, como PSDB e DEM, e também grupos de ultra-direita (fascistas, nazistas, integralistas), por enquanto marginais.

Por isso, os trabalhadores não devem comparecer à manifestação do dia 15. Não temos nenhum interesse em comum com ricos, patrões e grandes empresários que desejam derrubar o governo porque estão com inveja da roubalheira e queriam estar no poder para roubar ainda mais. Não temos nenhum interesse comum com sociopatas nazistas, fascistas ou integralistas, que sonham em derrubar o governo para instaurar uma ditadura militar, onde os trabalhadores sejam esfolados vivos pelos patrões, vivam num regime de opressão e de extrema pobreza e no qual os líderes dos movimentos sociais sejam assassinados e torturados pelas polícias e pelas forças armadas.

Não devemos caminhar ao lado dessa gente. Ao aderir a esse protesto, estamos levando água ao moinho dos setores mais conservadores e reacionários da sociedade.

Quem deve derrubar o governo? Como e para quê? 

É justa e correta a indignação dos trabalhadores e de todo o povo contra o governo do PT. Os trabalhadores devem barrar todas as medidas de austeridade do governo Dilma, derrotar seu pacote de maldades, derrotar sua política econômica.

Os trabalhadores poderiam derrubar o governo com suas próprias mãos, sem a interferência da direita ou dos militares, desde que possuíssem força suficiente para colocar outra forma de governo e de poder no lugar, o que implica fazer uma revolução operária e popular e instaurar um novo tipo de governo, assentado em organizações de trabalhadores (Conselhos ou Assembleias Populares). Este dia certamente chegará, mas ainda está longe do nosso horizonte. Até lá, precisamos começar construindo uma greve geral no país, para que os trabalhadores verifiquem o imenso poder que possuem e se reconheçam como classe social, capaz de gerir seu próprio destino e transformar a sociedade.

Para quem estava com problemas de memória, Beto Richa mostrou o que é o PSDB

O playboy caloteiro do PSDB, que quebrou o estado do Paraná, que tentou arruinar a carreira dos servidores públicos, que tentou atropelar o povo paranaense na Assembleia Legislativa, mostrou a todo o país o que é o PSDB. Reeleito no primeiro turno, Beto Richa ficou na corda-bamba no auge da greve dos trabalhadores da educação. Depois de engolir sua arrogância e prepotência diante da marcha dos 50 mil que tomou as ruas de Curitiba, o caloteiro foi obrigado a aparecer em público e a dar desculpas esfarrapadas.

Se Aécio Neves tivesse sido eleito, faria com o Brasil exatamente a mesma coisa que Beto Richa fez com o Paraná

Não podemos esquecer que o PSDB arruinou o país na década de 1990. Seguindo a linha neoliberal iniciada no governo Collor, desnacionalizou a maior parte da economia (privatizações) e instituiu a política econômica atual (juros estratosféricos para favorecer o capital financeiro, privilégios sem limites para as multinacionais, precarização do trabalho e arrocho salarial).

Por conta disso, FHC terminou seu segundo mandato amaldiçoado pela classe trabalhadora. Até pouco tempo, esse partido e sua organização irmã, o DEM, eram vistos como a escória da política brasileira, como os partidos de direita responsáveis pela miséria do povo brasileiro.

Acontece que a traição do PT foi tão grave que a decepção fez com que os trabalhadores esquecessem o que um governo de direita significa. Dilma Rousseff fez um governo tão ruim que conseguiu perdeu para Aécio Neves mesmo no ABC paulista, berço do PT.

O PSDB não esperava obter tanto sucesso na eleição. Estão até agora boquiabertos com a votação de Aécio. As caveiras ambulantes de José Serra e FHC não eram mais capazes de iludir o povo. Mas o alegre paspalhão Aécio Neves quase conseguiu.

Essa surpresa do próprio PSDB, além da justa indignação do povo, é a base da mobilização do dia 15 pelo impeachment da Dilma.

Por que não devemos participar da mobilização do dia 13?

Porque assim você estará dando apoio ao governo Dilma, o que significa dizer a ela: “Isso mesmo, estamos a favor de seu pacote de maldades! Continue tirando dos pobres para dar mais aos ricos!”

Os banqueiros e as multinacionais querem o impeachment?

Quem controla politicamente o país, usando o governo federal como marionete, não é a Dilma, nem o Congresso Nacional, nem as demais esferas do poder. O controle político sobre o país é exercido pelo capital financeiro, isto é, pelos bancos, pelos especuladores do mercado financeiro e pelas multinacionais. E esses “segmentos” da “sociedade”, os banqueiros, os empreiteiros, os grandes empresários, os latifundiários, estão muito, mas muito satisfeitos com o governo Dilma, pois nunca ganharam tanto dinheiro. Esse é o significado do lucro recorde obtido pelo Bradesco no ano passado.

Eles não querem o impeachment. E são eles que mandam. É claro, porém, que às vezes as coisas saem do controle: uma pequena faísca vira um enorme incêndio, mas isso é raro.

Portanto, no fundo, quem mais se beneficia com as notícias sobre o “impeachment” é a própria Dilma, pois assim ela se livra momentaneamente de sua face real (um partido traidor, que chegou ao poder abandonando seu programa de fundação e seus princípios, para governar com e para os capitalistas) e veste a máscara de governo “de esquerda” perseguido pela “direita”. Aí entram em ação seus tentáculos nos movimentos sociais (CUT, UNE, MST), que trabalham para tentar convencer os trabalhadores de que o governo do PT não é o que ele é (um governo traidor a serviço do imperialismo).

Próximos passos

A Plenária Nacional da FASUBRA realizada nos dias 7 e 8 de março rejeitou a proposta de dirigentes do PT e da CUT para que a federação participasse do dia 13. Não iremos! Em contrapartida, foi aprovada a realização de um Dia Nacional de Luta e Paralisação em 26 de março. Fique atento à organização dessa manifestação. A Plenária aprovou também indicativo de greve para maio.

NEM DIA 13, NEM DIA 15!

NEM AO LADO DO GOVERNO, NEM AO LADO DA DIREITA!

Os trabalhadores devem organizar suas próprias manifestações!

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