Mais uma vez, trabalhadores em greve não são recebidos na Funpar

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Durante a manifestação, os trabalhadores conduziram pelas ruas do centro um boneco representando o reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, e o procurador da Funpar, Luiz Antonio Abagge.

Durante a manifestação, os trabalhadores conduziram pelas ruas do centro um boneco representando o reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, e o procurador da Funpar, Luiz Antonio Abagge.

Os trabalhadores do Hospital de Clínicas (HC) contratados via Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar), em greve há 11 dias, fizeram nesta sexta-feira, 17, um novo ato em frente à sede da Fundação, na Rua João Negrão, 280, centro de Curitiba. Apesar disso, mais uma vez eles não conseguiram que uma comissão fosse recebida pela diretoria da instituição. A exemplo do que aconteceu na última quarta-feira, a justificativa dada foi a de que ninguém da administração estava no prédio.

“Aqui, os trabalhadores da Funpar são ignorados. Não têm uma resposta da administração. São tratados como lixo”, reclamou a coordenadora-geral do Sinditest-PR Carmen Luiza Moreira.

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No momento, os grevistas demandam um reajuste salarial de 12,06%, proposta elaborada após uma primeira audiência na Justiça do Trabalho. O índice está bem abaixo da reivindicação inicial, que era de 20,16%. A Fundação da UFPR, no entanto, oferece apenas 5,2%, valor que mal cobre metade da inflação acumulada no último ano.

“Cinco por centro em cima de um salário de R$ 1,2 mil não paga nem a cestinha do mercado”, calculou Carla Cobalchini, também da diretoria do Sinditest-PR.

Ato e solidariedade
Os trabalhadores em greve começaram a se concentrar às 9 horas, em frente ao Hospital de Clínicas. Às 10, eles saíram em passeata pelas ruas do centro, fechando algumas pistas, até a sede da Funpar, onde permaneceram por mais de uma hora.

A movimentação atraiu a atenção de transeuntes que já foram pacientes do HC ou já tiveram familiares atendidos no hospital. “Eu gostaria muito que o HC não passasse mais vergonha. Porque a gente precisa de saúde. O Brasil precisa de saúde”, declarou Yara da Silva Pinto, que em 2013 se submeteu a duas cirurgias na coluna no hospital.

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Há dois anos, Maria Nadir, outra passante a dar um depoimento durante a manifestação, perdeu o marido, vítima de uma infeção generalizada, na fila de espera do Hospital de Clínicas. “Quando eu estava descendo o caixão no cemitério, me ligaram, dizendo que agora tinham uma vaga”, contou. “Estou sofrendo muito até hoje”, desabafou.

Ela se mostrou solidária à manifestação dos trabalhadores. “Lutem, gente, lutem mesmo. Porque saúde não é brincadeira. O rico não precisa do Hospital de Clínicas, quem precisa somos nós pobres.”

Os trabalhadores do HC seguem paralisados. Uma novo ato de greve está sendo organizado pela comissão obreira para segunda-feira, 20, às 9 horas, no Hall da Direção do hospital.

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