Decisão sobre continuidade da greve local fica para terça-feira, 6

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Márcio Palmares: apesar de ter DNA tucano, Zaki Akel é pragmátco.

Ficou para próxima terça-feira, 06 de outubro, a decisão sobre a continuidade da greve dos servidores técnico-administrativos da UFPR. Eles cogitam manter a paralisação até que a reitoria volte a negociar a pauta local do movimento, mais especificamente a jornada flexibilizada de 30 horas dentro da instituição.

Para a assembleia realizada na manhã desta terça-feira, 29, a resolução ainda precisa ser amadurecida pelo conjunto da categoria. “Vamos decidir se continuamos a luta com a greve ou se vamos suspender a greve e retomar a luta com um dia de paralisação, atos no pátio da reitoria ou mesmo dentro do gabinete do reitor. O fato é que a direção deste sindicato vai bancar o que quer que seja que a assembleia decida”, garantiu Carla Cobalchini, diretora do Sinditest-PR. “O movimento sindical é permanente. O sindicato luta todo dia. Agora, precisamos decidir qual vai ser o próximo passo.”

Até a próxima terça, os servidores vão avaliar se ainda existe real poder de mobilização e acúmulo de força junto às bases da categoria para dar continuidade à greve. “Conquistar as 30 horas dentro da universidade significa uma melhoria para o conjunto da classe trabalhadora, porque vai abrir um precedente. Não é qualquer pauta”, defendeu Larissa Gysi, diretora do Sinditest-PR e também da Fasubra, a federação que organiza os técnicos administrativos no país.

O fim da greve nacional, que há uma semana havia sido previsto para o próximo dia 05, agora pode ser adiado por ainda mais duas semanas. Isso porque o governo ainda não sentou com a Fasubra para finalizar o texto do acordo de greve, o que deveria ter acontecido no último dia 24. Após isso, o texto final ainda precisa ser aprovado pelas assembleias de todo o Brasil.

Negociação oficialmente rompida
A continuidade da greve local é cogitada por conta da suspensão das negociações por parte da reitoria da UFPR. A última reunião entre administração e comando local de greve aconteceu no dia 18 de agosto. Na sexta-feira passada, 25, o Sinditest-PR recebeu um ofício, assinado pelo pró-reitor Edelvino Razzolini Filho, informando que as negociações estavam oficialmente canceladas. A justificativa contida no documento é de que o Sinditest-PR teria participado do processo de ocupação do prédio da reitoria promovido pelos estudantes da universidade. “O sindicato apoiou a luta dos estudantes, é verdade. No entanto, nós não tivemos nenhuma participação na ocupação”, esclareceu Márcio Palmares, diretor da entidade. “A mesma coisa aconteceu no ano passado. O reitor usou a mesma estratégia. Quando ele vê que a greve nacional está chegando ao fim, rompe de forma unilateral a negociação local e dá uma desculpa esfarrapada.”

De qualquer maneira, Márcio Palmares defende que o movimento dos servidores já obteve avanços na pauta local. O pró-reitor de administração se comprometeu, no mesmo ofício, a não voltar atrás no que havia sido acordado até a data em que a reitoria foi ocupada.

Até aquele momento, ele havia garantido a suspensão temporária da implantação do ponto eletrônico na universidade e a formação de uma nova comissão destinada a avaliar os processos solicitando a jornada flexibilizada que estão engavetados na Secretaria de Órgão Colegiados (SOC). “Isso só aconteceu por causa da greve. Se dependesse do reitor, ficava tudo engavetado”, alfinetou Márcio Palmares.

Se a reitoria ceder e retomar as negociações, o Sinditest-PR também pretende pautar a análise, por essa comissão, dos processos que estão parados nos setores, e ainda a possibilidade de que servidores que à época não fizeram a solicitação possam fazer a partir de agora.

A céu aberto
A assembleia de hoje aconteceu no pátio da reitoria. Na Justiça, a administração da UFPR obteve um mandado de reintegração de posse do RU Central, que foi desocupado ontem e deixou de ser QG de greve. A reintegração de posse foi classificada por Márcio Palmares como uma “provocação” do reitor Zaki Akel Sobrinho, que estaria oportunamente se aproveitando do fato de o movimento dos servidores estar chegando ao fim nacionalmente, além de já terem terminado as paralisações dos docentes e dos estudantes da universidade. “Nos bastidores, o reitor trabalha com o Judiciário para criminalizar os movimentos”, afirmou.

O diretor do Sinditest-PR bateu forte no reitor Zaki Akel. “Qual é o objetivo dele? É conturbar ao máximo a negociação local, para dar argumentos aos pelegos, aos carreiristas, a todo esse séquito que está atrás de cargos. Vai ser assim até novembro, quando acontece a eleição do sindicato”, previu. “O reitor é pragmático. Embora tenha DNA tucano, ele agora está associado ao governo federal, do PT. Pro lado que tem mais poder e mais dinheiro, ele vai”, disparou.

Sandoval Matheus,
Assessoria de Comunicação do Sinditest-PR.

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