Carta aberta à comunidade da UTFPR sobre a consulta para a reitoria 2016-2020

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Prezados(as) alunos(as) e servidores(as),

No último dia 27, a UTFPR organizou uma consulta à comunidade para discutir o projeto que norteará os rumos da instituição nos próximos quatro anos. Trata-se de um momento fundamental para debater qual é a Universidade que queremos e de que forma iremos construí-la. É natural e saudável, portanto, que as diferentes perspectivas de Universidade se manifestem também durante o período eleitoral – razão por que defendemos, em documento de 2 de dezembro de 2015, que a consulta fosse organizada exclusivamente pelas entidades representativas de forma paritária, considerando paridade real na votação (33,3% para cada segmento), com previsão de segundo turno e campanha de, no mínimo, 30 dias.

Respeitando o resultado da consulta realizada e desejando consolidar a democracia dentro da instituição, as entidades representativas da UTFPR manifestam o seguinte entendimento, a ser considerado nas próximas consultas para Reitoria e Direção Geral de Câmpus:

1. É fundamental que a UTFPR avance para uma paridade real
Há oito anos, a UTFPR contabiliza os votos das consultas ponderando a proporção de 80% para servidores (professores e técnico-administrativos) e 20% para alunos. Após isso, o Conselho Universitário, composto por mais de 70% de docentes, ratifica o resultado e envia a lista tríplice para o Ministério da Educação.

Embora a proporção 80/20 seja uma conquista importante, ela não é verdadeiramente paritária: os alunos têm sua representação subconsiderada e, mesmo entre os servidores, a proporção não é equânime porque há menos técnico-administrativos que docentes. No modelo atual, a porcentagem aproximada é a seguinte: 53% para docentes, 27% para técnico-administrativos e 20% para alunos.

Hoje, muitas Universidades Federais ponderam os votos de forma paritária (cada segmento compondo um terço do peso de votos), como a UFRPE, a UFRJ, a UFPR e a UFSM. Precisamos colocar a UTFPR no quadro das Universidades mais maduras politicamente do país.

2. Precisamos garantir as conquistas dos segmentos universitários

Para que a votação seja de fato paritária, além de destinar uma porcentagem igualitária entre as categorias, devemos garantir que os pesos sejam mantidos na tabulação do resultado da votação. Na consulta realizada há dias, sequer a proporção 80/20 foi respeitada – algo a ser revisto na fórmula eleitoral para a próxima eleição. Como as ausências foram contabilizadas entre os votos computados no resultado final, os estudantes tiveram apenas 5,14% de expressão na votação (ou, na melhor das hipóteses, abstraindo os ausentes da tabela final, 7% dos votos). É correto que os servidores definam 93% da votação? Considere-se, nessa questão, que cerca dos 25% estudantes votaram, um número considerado alto em relação a outras universidades consolidadas (em suas últimas eleições, a participação estudantil na UFF foi de 18%; na UFRGS, de 17%; na UFMG, de 10%; na UEL, de 18%).

A proporção 80/20, embora seja ainda parcial, deve ser entendida como uma conquista política dos segmentos universitários, que conseguiram, através de mobilização, romper com a concepção conservadora de que os estudantes e os técnico-administrativos têm uma contribuição menos qualificada sobre a instituição.

Portanto, os pesos deliberados pelo Conselho Universitário precisam ser garantidos, contabilizando na eleição apenas os votos válidos de cada categoria. Isso não mudaria o resultado desta eleição, mas desde já tornaria os índices mais próximos da participação política real, sobretudo no que tange à participação dos estudantes.

Curitiba, 13 de maio de 2016.

DCE-UTFPR
GECEL
SINDITEST-PR
SINDUTF-PR

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