A importância das eleições de outubro para os TAE

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Claro. Para ficar com mais cara de artigo de opinião, eu tiraria o excesso de subtítulos, deixaria a argumentação mais contínua e reforçaria a voz do autor, sem alterar a linha política nem os principais exemplos do texto. Também ajustei o plural para “os TAE”, como vocês usam no SINDITEST-PR.

A importância das eleições de outubro para os TAE

Por Ivandenir Pereira, coordenador-geral do SINDITEST-PR – Gestão Seguindo em Frente 2026-2029

Em outubro, mais uma vez, teremos a oportunidade de escolher aqueles que ocuparão os principais espaços de poder político do país. Para nós, Técnicos-Administrativos em Educação (TAE), essa escolha não pode ser tratada como algo distante da nossa vida profissional.

O resultado das eleições interfere diretamente em nossos salários, nossa carreira, nossas aposentadorias, nossas condições de trabalho e no futuro das universidades e dos serviços públicos.

Vivemos, desde a Constituição de 1988, o mais longo período democrático da história da República brasileira. Isso não significa que nosso sistema político seja perfeito. Muito pelo contrário. Existem problemas graves, como a influência do poder econômico, a desigualdade no acesso aos meios de comunicação e as distorções do próprio sistema eleitoral.

Mas a democracia se constrói justamente com a possibilidade de escolher governos e representantes, fiscalizá-los, criticá-los e substituí-los pelo voto.

É importante lembrar disso porque, no Brasil, a democracia não foi um presente. O país passou por períodos autoritários marcados por censura, perseguição política, cassações, prisões, torturas e assassinatos de opositores. Durante a ditadura iniciada com o golpe de 1964, por exemplo, a liberdade de imprensa, de organização política e de manifestação foi severamente restringida.

Hoje, quando vemos denúncias de corrupção, nepotismo, irregularidades administrativas e abusos de poder sendo divulgadas e investigadas, isso também é resultado da existência de instituições democráticas e da liberdade de imprensa. Uma democracia não é aquela em que não existem problemas. É aquela em que temos liberdade para denunciá-los, enfrentá-los e lutar por mudanças.

E o que tudo isso tem a ver com os TAE? Tem tudo a ver.

Nossa carreira não é decidida apenas nas mesas de negociação com o governo ou nas assembleias do sindicato. Ela também é diretamente influenciada pelas decisões tomadas pelo presidente da República, pelos deputados federais e pelos senadores.

São esses espaços que decidem leis, emendas constitucionais, orçamentos e reformas que podem melhorar ou piorar nossa vida profissional.

Nos últimos anos, por exemplo, conquistamos reajustes salariais de 9% em 2023, 9% em 2025 e 5% em 2026, além de avanços importantes na reestruturação da carreira, no auxílio-alimentação e no Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para os TAE.

Nada disso caiu do céu. Essas conquistas foram resultado de mobilização, negociação e, quando necessário, greve. Mas também foram possíveis porque havia determinada correlação de forças políticas no governo e no Congresso Nacional.

Da mesma forma, quando governos e parlamentares defendem congelamento salarial, redução do Estado, privatizações ou reformas que retiram direitos, essas posições também produzem consequências concretas para nossa categoria.

Por isso, precisamos preservar a memória recente.

Os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro deixaram um histórico que não pode ser apagado da memória dos servidores públicos. Nesse período tivemos, entre outras medidas e propostas, o congelamento dos gastos públicos estabelecido pela Emenda Constitucional nº 95; a Reforma da Previdência de 2019, que endureceu as regras para aposentadoria; tentativas de avançar com uma reforma administrativa capaz de precarizar ainda mais as relações de trabalho no serviço público; restrições a concursos e à reposição da força de trabalho; ataques recorrentes à imagem dos servidores públicos e cortes e limitações orçamentárias que atingiram universidades e institutos federais.

Não se trata de afirmar que todos os problemas são responsabilidade exclusiva de um governo ou de outro. Trata-se de reconhecer que determinadas concepções de Estado produzem determinadas consequências.

Quando se defende um Estado mínimo, com menos servidores, menos investimentos e maior participação privada na prestação de serviços públicos, isso necessariamente afeta quem trabalha nesses serviços e, principalmente, a população que depende deles.

E esse debate está longe de terminar. A reforma administrativa continua sendo uma ameaça. Projetos com esse objetivo continuam circulando no Congresso Nacional e muitos dos parlamentares que apoiaram propostas anteriores estarão novamente disputando votos.

Por isso, durante uma eleição, não basta perguntar se determinado candidato diz que “gosta dos servidores”. É preciso verificar o que ele fez quando teve a oportunidade de decidir.

Como votou em propostas que atingiam o funcionalismo? Defendeu ou atacou a universidade pública? Apoiou ou rejeitou a Reforma da Previdência? Defendeu concursos públicos? Como se posicionou diante das privatizações? O que fez quando servidores precisaram lutar por orçamento, salários e direitos?

O histórico vale muito mais do que o discurso de campanha.

Também precisamos lembrar que o serviço público não pertence aos servidores. É patrimônio da sociedade.

Existe uma disputa de projetos para o Brasil. De um lado, estão aqueles que entendem que saúde, educação, ciência, universidades e outros serviços essenciais devem ser direitos universais, garantidos e financiados pelo Estado. De outro, estão aqueles que defendem reduzir a presença estatal e ampliar a participação privada justamente em áreas que deveriam atender prioritariamente ao interesse público.

Para nós, TAE, essa diferença é fundamental.

Uma universidade pública forte precisa de servidores valorizados, carreira estruturada, salários dignos, concursos públicos e orçamento adequado. Não existe universidade pública de qualidade sem trabalhadores valorizados. Não existe ensino, pesquisa e extensão de qualidade sem os TAE. E não existe futuro para nossa carreira se o projeto de Estado for o da redução permanente dos serviços públicos.

Nesse processo, qual deve ser o papel do SINDITEST-PR?

O Sindicato não deve se transformar em comitê eleitoral de candidato A ou B. Além das questões legais que envolvem a atuação sindical durante o processo eleitoral, existe uma questão política ainda mais importante: o sindicato deve representar a categoria, informar os trabalhadores e organizar a luta, e não substituir a consciência política individual de cada pessoa.

Isso não significa, porém, adotar uma falsa neutralidade diante de projetos que atingem diretamente nossa categoria.

O SINDITEST-PR tem o dever de informar, preservar a memória das lutas, apresentar o histórico dos candidatos e mostrar quais projetos políticos podem afetar nossos direitos e nossas condições de trabalho.

A decisão sobre o voto é individual. A reflexão sobre seus efeitos deve ser coletiva.

Nossa categoria possui um nível de formação e de consciência política construído ao longo de décadas de luta. Somos trabalhadores que conhecem, na prática, o significado de defender a universidade pública. Por isso, não podemos escolher nossos representantes apenas por simpatia, propaganda eleitoral ou promessas feitas durante uma campanha.

Precisamos perguntar: quem esteve ao lado dos servidores quando tivemos de lutar? Quem defendeu a universidade pública? Quem votou pela retirada de direitos? Quem apoiou reformas prejudiciais aos trabalhadores? Quem defendeu concursos, salários, carreira e serviços públicos?

Essas respostas precisam fazer parte da nossa escolha.

As eleições de outubro não resolverão todos os nossos problemas. Independentemente de quem vencer, os TAE continuarão precisando de organização, mobilização e, quando necessário, greve para conquistar avanços e impedir retrocessos.

Mas a conjuntura política pode facilitar ou dificultar enormemente nossas lutas.

Foi com mobilização que conquistamos reajustes, reestruturação da carreira e outros avanços. E será também com mobilização que enfrentaremos qualquer tentativa de retirada de direitos.

Por isso, precisamos compreender a relação direta que existe entre o voto, a correlação de forças no Congresso Nacional, o governo federal e os direitos dos trabalhadores.

Não podemos entregar nosso futuro a quem defende a redução dos serviços públicos, a precarização do trabalho e a retirada de direitos. Ao mesmo tempo, não devemos dar cheque em branco a ninguém. Governos que se apresentam como aliados dos trabalhadores também precisam ser permanentemente cobrados.

Apoio não significa submissão. Diálogo não significa abandonar a luta. Nossa independência sindical deve sempre ser preservada.

Em outubro, cada um de nós estará sozinho diante da urna. Mas as consequências das nossas escolhas serão coletivas.

Estarão em jogo nossos salários, nossa carreira, nossa aposentadoria, nossas condições de trabalho e, principalmente, o futuro da universidade pública e dos serviços que oferecemos diariamente à sociedade.

Vote com consciência. Pesquise a história e o voto dos candidatos. Compare projetos. Não esqueça quem esteve ao lado dos trabalhadores — e também quem esteve contra eles.

Para nós, TAE, defender a democracia também é defender a universidade pública, os serviços públicos e nossos direitos.

A decisão é individual. Mas as consequências serão de todos nós.

Ivandenir Pereira
Coordenador-geral do SINDITEST-PR
Gestão Seguindo em Frente – 2026-2029

 

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