Sindicato aguarda nova minuta da UFPR e defende compensação por atividades efetivamente represadas, sem reposição hora por hora
O SINDITEST-PR reuniu, nesta quinta-feira (1º), trabalhadores do Complexo Hospital de Clínicas para discutir as horas negativas registradas após a greve dos Técnico-Administrativos em Educação (TAE), a negociação com a Reitoria da UFPR e outras demandas relacionadas às condições de trabalho no Hospital.
Durante a reunião, a direção informou que a UFPR se comprometeu a apresentar uma nova minuta para regulamentar o encerramento da greve. O documento será analisado pela assessoria jurídica do SINDITEST-PR antes de uma avaliação definitiva do Sindicato e da divulgação à categoria.
O SINDITEST-PR reforçou que não aceita reposição hora por hora dos dias de greve. O entendimento defendido pela entidade é de que a compensação deve ocorrer apenas sobre atividades efetivamente represadas durante a paralisação, dentro da jornada de trabalho e quando essas atividades ainda forem necessárias.
Para o Sindicato, também é necessário comprovar que a demanda deixou de ser realizada especificamente em razão da greve. Problemas ou atividades acumuladas anteriormente ao movimento não podem ser transferidos aos trabalhadores como obrigação de reposição.
Horas negativas devem ser retiradas
Um dos principais pontos apresentados pelo Sindicato à Reitoria é a retirada das horas negativas registradas nos controles de frequência dos trabalhadores do HC.
Durante a reunião, a assessoria jurídica do SINDITEST-PR ressaltou que o acordo nacional de encerramento da greve não estabeleceu reposição quantitativa de horas e que a solução deve ser construída coletivamente entre a administração e a representação sindical.
O Sindicato também rejeita qualquer tratamento diferenciado entre os trabalhadores do Hospital e servidores de outros setores da UFPR.
“Na proposta anterior, a Universidade vinculava a quantidade de mutirões ao tempo de adesão à greve. Na prática, isso transformava a compensação de atividades represadas em reposição dos dias parados, e esse não foi o acordo construído nacionalmente. Nossa orientação é clara: ninguém deve negociar individualmente uma suposta dívida de horas com a chefia. Se houver cobrança, pressão ou qualquer tentativa de impor essa reposição, o trabalhador deve procurar o Sindicato. Essa negociação é coletiva e precisa ser resolvida coletivamente”, afirma Ivandenir Pereira, da Coordenação Geral do SINDITEST-PR.
Mutirões devem respeitar jornada e necessidade do serviço
Outro ponto discutido foi a organização de mutirões aos sábados, domingos e feriados.
O SINDITEST-PR defende que qualquer atividade apresentada como compensação da greve precisa estar diretamente relacionada a uma demanda efetivamente represada durante a paralisação.
A posição do Sindicato também é de que essas atividades sejam realizadas dentro da jornada regular dos servidores, sem imposição de trabalho fora dos horários habituais.
Durante a reunião, trabalhadores relataram que alguns setores já discutem ou organizam mutirões para finais de semana e feriados. A orientação é aguardar a conclusão da negociação com a UFPR antes de considerar essas atividades como forma de compensação da greve.
Trabalhadores relatam pressões e problemas com chefias
A reunião também abriu espaço para relatos sobre férias, mudanças de jornada, horas extras, convocações fora do horário habitual e possíveis retaliações relacionadas à participação na greve.
Uma trabalhadora relatou, por exemplo, ter recebido a informação de que servidores que participaram da paralisação não poderiam tirar férias em determinado período.
“A participação em uma greve legalmente constituída não pode ser utilizada como forma de punição ou para restringir direitos do trabalhador. Se houver qualquer determinação nesse sentido, é importante pedir a fundamentação legal e procurar o Sindicato. Pressões, ameaças ou tentativas de retaliação precisam ser comunicadas para que possamos fazer o acompanhamento jurídico”, afirma o advogado do SINDITEST-PR, Paulo Henrique Vieira.
Também foram relatadas dificuldades envolvendo servidores RJU e trabalhadores contratados pela Ebserh, mudanças de atribuições no Centro Cirúrgico e convocações para atividades fora da jornada.
O Sindicato orienta que essas situações sejam documentadas e encaminhadas à entidade para acompanhamento sindical e jurídico.
Próximos passos
O SINDITEST-PR aguarda agora o envio da nova minuta pela UFPR. Assim que o documento for recebido, será encaminhado para análise da assessoria jurídica e a avaliação será divulgada à categoria.
Até a conclusão do acordo, a orientação é que os trabalhadores procurem o Sindicato diante de cobranças de horas negativas, tentativas de negociação individual da reposição, convocação compulsória para atividades fora da jornada ou situações que possam representar retaliação pela participação na greve.
Nenhuma conquista vem de forma isolada. É a organização coletiva que garante direitos, protege quem está na ativa e defende também aposentadas e aposentados. Quanto mais forte o Sindicato, maior a capacidade de enfrentar retrocessos, cobrar acordos e conquistar novos avanços. Filie-se ao SINDITEST-PR, participe das mobilizações e fortaleça a luta da categoria.