Sem vale-transporte, trabalhadores Funpar/HC cogitam paralisação

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Mais de 600 trabalhadores do Hospital de Clínicas da UFPR, contratados via Funpar, a fundação de apoio da Universidade, podem deflagrar uma paralisação na próxima semana. O motivo é o atraso no pagamento do vale-transporte, que deveria ter sido feito no dia 30 do último mês, conforme o acordo coletivo de trabalho, mas ainda não foi efetivado.

“A supressão de qualquer direito previsto em acordo coletivo autoriza a paralisação”, esclareceu a advogada do Sinditest-PR Josimery Matos Paixão, durante assembleia na manhã desta quinta-feira, 05 de novembro. Se até a próxima semana o débito não for quitado, os trabalhadores da Funpar voltarão a se reunir na próxima sexta-feira, 13, para deflagrar a paralisação.

Antes da manhã de hoje, o Sinditest-PR entrou em contato com a Funpar, para tentar esclarecer a questão. De acordo com a Fundação, o dinheiro que deveria remunerar os trabalhadores não foi repassado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que atualmente administra o HC, e não há previsão para que o pagamento seja feito.

Assédio moral
Não é só o vale-transporte que tem sido pago com atraso para os trabalhadores da Funpar no HC. Também as férias têm sido rotineiramente quitadas com mais de 15 dias de demora. Além disso, os salários, que até há pouco tempo eram depositados no segundo dia útil de cada mês, agora só chegam às mãos dos funcionários no quinto.

No fim de 2015, eles também não terão direito a folgar na semana do Natal ou do Ano-Novo, e compensar as horas na semana anterior ou seguinte, como sempre aconteceu, em um esquema de revezamento. Essa possibilidade foi suprimida apenas para os funcionários da Funpar. Os trabalhadores do regime jurídico único (RJU) e os recém-chegados, contratados pela Ebserh, continuam podendo folgar no fim do ano.

“A estratégia da Ebserh é muito simples: pressionar os trabalhadores fundacionais para que eles peçam demissão, para que a empresa não precise pagar os 40% de multa do FGTS. O nome disso é assédio moral, abuso do poder econômico”, disse o diretor do Sinditest-PR Márcio Palmares.

“Não é possível que uma categoria que por mais de 30 anos levou esse hospital nas costas hoje seja tratada do jeito que é tratada”, completou Carmen Luiza Moreira, também da diretoria do Sinditest-PR.

Ponto eletrônico
A assembleia desta quinta-feira também debateu o ponto eletrônico no HC. A questão foi judicializada pelo Sinditest-PR, por conta de uma série de irregularidades, como a guia pouco durável destinada ao trabalhador, que assim não pode comprovar o cumprimento de jornada após poucos dias, e o fato de as máquinas estarem concentradas em uma único local do hospital, quando a legislação determina que os pontos fiquem próximos a cada local de trabalho. O Sinditest-PR apresentou uma denúncia ao Ministério Público, que determinou que a Superintendência Regional do Trabalho fiscalize as instalações.

A direção do Sinditest-PR também pretendia debater a questão com a administração do HC, mas não havia obtido resposta às suas solicitações de agenda até a manhã de hoje. Como a assembleia foi realizada no Hall da Direção do hospital, com os trabalhadores pressionando às portas da administração, ela enviou um ofício marcando um reunião para a próxima terça-feira, 10. “Nós não precisamos ter vergonha de estar aqui, nós temos que ocupar o hospital. Assim, eles conseguem uma agenda rapidinho”, brincou Carla Cobalchini, diretora do Sinditest-PR.

Sandoval Matheus,
Assessoria de Comunicação do Sinditest-PR.

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