Em Curitiba, técnicos apoiam contraproposta de 19,7%

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Os servidores técnico-administrativos de Curitiba discordaram nesta quinta-feira, 30, da orientação do comando nacional de greve, que pretende, na próxima rodada de negociações com o governo federal, reapresentar a proposta de reajuste salarial de 27,38%. Eles decidiram apoiar a contraproposta elaborada pelo Fórum dos Servidores Públicos Federais, de 19,7% em parcela única. A atual oferta do Executivo é de 21,7% parcelado em quatro anos.

Na próxima segunda-feira, 03, o comando local de greve pensará uma metodologia para que os técnicos do interior do estado também possam participar dessa decisão. Posteriormente, as posições tiradas das bases serão incorporadas ao debate em Brasília.

A assembleia desta quinta expôs diferentes pontos de vista. No fim, prevaleceu a ideia de que o apoio aos 19,7% é uma questão tática que, dentre outras coisas, contribui para a unidade da greve do serviço público federal. “Essa contraproposta também diz não à divisão do reajuste em quatro anos, que é o que há de pior na oferta do governo”, argumentou Carlos Pegurski, da UTFPR.

“Se rompermos com o Fórum, vamos estar nos afastado do conjunto. Eu acho isso um perigo”, avaliou Youssef Ali, da diretoria do Sindites-PR. “Alguém aqui acredita que nós sozinhos, base da Fasubra, temos como conseguir a data-base? Qual projeto estratégico queremos para a nossa categoria?”, questionou.

Um dos principais argumentos contrários ao apoio imediato à contraproposta veio de Bernardo Pilotto, técnico do Hospital de Clínicas. Para ele, as atividades de greve previstas para a próxima semana, incluindo a caravana do serviço público, em Brasília, dariam uma ideia mais confiável da força do movimento, para embasar a decisão. “A posição do Fórum não pode ser vista por nós como um dogma”, disse. “19% não é um contraproposta real. É tão factível quanto 27%. O governo não vai dar.”

Veja abaixo o posicionamento de mais servidores, durante a assembleia.

Maurício de Souza, UFPR Litoral: “A proposta do governo é parcelada. Para 2016, é 5,5%. Não vamos confundir as grandezas. Esses 19% não são os 27 pedidos inicialmente, mas estão longe de 5,5. Nós devemos ter isso em mente. Lembrando que esses 19 ainda serão rebaixados pelo governo”.

Natália Oshiro, Sinditest-PR: “Enquanto não temos o ideal, temos que trabalhar com o concreto. E o concreto é que dia 21 de agosto é a votação do Orçamento e até lá precisamos arrancar alguma coisa do governo. Em nenhum momento o governo discutiu os 27%. Considerando essa conjuntura, é melhor chegar com uma contraproposta e mostrar a intransigência deles”.

Gessimiel Germano (Paraná): “Ninguém aqui é inocente para acreditar que vamos arrancar 19% em uma paulada só. Eu consideraria um milagre. Eu não acredito na greve unificada dos servidores públicos federais. Troco tudo isso pela data-base”.

Márcio Palmares, Sinditest-PR: “Nós estamos em uma mesa de negociação com o governo, não estamos com uma arma apontada para a cabeça do governo, dizendo faça isso, faça aquilo. Temos que tomar cuidado para não superestimar a força da nossa greve. É inteligente chegar em uma quinta reunião de negociação e manter os 27%?”.

Xênia Mello, UTFPR: “19% em um ano é uma proposta que o governo também não vai aceitar. Olhando desse ponto de vista, nem 27% nem 19% fazem sentido. 19% também é intransigente”.

Rufina Roldan, Sinditest-PR: “Os 27% não estão na mesa do governo. Isso não está em negociação. E nós não temos  o HC parado, por exemplo. Não só aqui, é assim na maioria do país. Até que ponto temos força para chegar e dizer: é 27% ou nada?”.

Carla Cobalchini, Sinditest-PR: “A unidade do funcionalismo público federal é importante. Nós já aprendemos com esse governo que só conseguimos alguma coisa com a unidade dos federais. E o que move mais o governo a negociar? Quando você apresenta uma contraproposta, você força o outro lado a sair do mesmo lugar”.

Sandoval Matheus,
Assessoria de Comunicação do Sinditest-PR.

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